sexta-feira, 14 de dezembro de 2007

Um singelo adeus ao Manel

O vizinho da minha avó morreu e fiquei sabendo algumas horas atrás. Pode não parecer muita coisa, “o vizinho da minha avó”, pode até não parecer nada, mas era muita coisa sim. Da penúltima vez que o vi, sentadinho no bar de sempre, passei direto só com um aceno, mas me detive, repensando meio que involuntariamente e voltando alguns passos atrás pra falar com ele um pouco mais direito que isso. Ele estava com um curativo perto da barriga, falou que em breve ia receber o rim da irmã e tudo ia ficar bem. Falou pro meu namorado que eu era a menina mais especial de Vila Velha, não, do Espírito Santo todo, e falou que me considerava como se fosse uma filha sua. O olho dele ficou todo vermelho e cheio de água assim, com menos de um minuto de palavra.

Da última vez que o vi só acenei, dei um sorriso em alta velocidade e segui em frente, como fiz tantas vezes nessa vida. Ele ia operar amanhã, mas morreu hoje.

É nessas horas que a gente pensa... Eu deveria ter parado... Eu deveria ter “perdido” um minutinho do meu dia com ele... Foi o último e eu o perdi porque estava com pressa pra fazer alguma coisa que não lembro o que, e que não importa mais. Nós somos muito idiotas mesmo.

"Nessas eleições não vote em branco, vote em Manoel Preto!"

Meu voto vai pra você, Manel.
Até mais companheiro ^^

quinta-feira, 6 de dezembro de 2007

Que se dane.


Num desses domingos o Fantástico anunciou os cientistas que negam o aquecimento global. Eles dizem que de anos em anos (e põe anos nisso) a Terra passa naturalmente por um processo de mudanças climáticas, seja pra mais frio ou mais quente, e que o homem não tem nada a ver com essa mudança que está acontecendo agora. Tá. A Terra passa por um processo de mudanças climáticas naturalmente sim. Mas nossas emissões absurdas de gás carbônico, nossa produção em massa de lixo - toneladas dele -, as florestas inteiras que queimamos e derrubamos, o tanto de porcaria nossa que jogamos na água, o tanto de água que nossa população global absurdamente crescida gasta... Nada disso faz a menor diferença para o mundo segundo os “céticos do aquecimento global”. Ótima notícia! Maravilhosa! Publiquem isso nas principais revistas, falem no Fantástico, no Jornal Nacional, divulguem! Todos irão adorar! Que beleza, quem diria, não precisamos mais economizar água, nem reduzir nossa produção de lixo, nem nos dar ao trabalho e incômodo de separar os que são recicláveis! Nada disso faz diferença nenhuma!... Viva!

Fico imaginando quantas pessoas adoraram ouvir isso. É bom né, não ser responsabilizado. Jogar a culpa pra outro lado que não o nosso. É um alívio. Não temos nada a ver com o aquecimento global!... Incrível. Era tudo que eu mais queria ouvir. Não vou precisar mais me preocupar com aquele bando de coisa que falavam pra eu me preocupar! Ufa, é um peso que sai das minhas costas...

Conheço várias pessoas (entre amigos e parentes) que sustentam o discurso: “Vai ficar quente mesmo, então que se dane”. Pra mim é isso que os “céticos do aquecimento global” espalham por aí, pela Rede Globo e outros meios decisivos mais. Dane-se. A culpa não é nossa. Vai esquentar mesmo e ninguém pode fazer nada a respeito. Polua, gaste, derrube, deixe pra lá. Quê isso, uma coisa dessas não iria acelerar absurdamente o processo natural do planeta!... Não, quê isso. Jamais...

quarta-feira, 21 de novembro de 2007

LEMBRAR!


Amigos deste blog!

Estava eu querendo saber se tinha perdido o dia limite para fazer o recadastramento do CPF, e adivinha, foi num blog que achei a informação necessária! rs

Em agradecimento vou passar pra frente! Se algum de vocês for esquecido como eu pode ser que não tenha feito ainda, ou que talvez nem tenha ficado sabendo que precisa fazer! Seria o meu caso se ninguém tivesse me avisado... Acho que nem é questão de ser total desligado não, só é burocracia demais pra um país só... Ainda não me acostumei.

Mas então, dá pra fazer de graça através do link abaixo (puxa, tá dando muito erro na página, mas é porque deve estar lotado de brasileiro fazendo em cima da hora, sabe como é, rs...):

http://www.receita.fazenda.gov.br/

Na página lá está dizendo que a Declaração Anual de Isento na verdade não é um recadastramento de CPF como falei lá em cima, e sim uma "obrigação anual", como o próprio nome indica. Tá né...
"Toda pessoa física inscrita no Cadastro de Pessoas Físicas (CPF), anualmente, ou está obrigada à entrega da Declaração de Ajuste Anual do Imposto de Renda ou, por exclusão, à entrega da Declaração Anual de Isento."

Bom, então se você também não paga Imposto de Renda (aaaaaaaaah, malditos impostos!! cadê esse dinheiro??) lembre-se de fazer esse trem aí até o dia 30 de novembro, estourando!

Abraço a todos e boa sorte.

domingo, 4 de novembro de 2007

Kaká e Gilberto

Nos dias 18 e 19 de outubro matei aula para participar do 7º Seminário de Meio Ambiente, realizado pela Arcelor Mittal lá naquela área verdinha da CST - Companhia Siderúrgica Tubarão. Creio que valeu a pena. Não só pelos sanduíches liberados (apesar de estar uma delícia), mas principalmente pela fala de dois sujeitos muito inteligentes.


No primeiro dia começamos com uma palestra do índio Tapuia, escritor, professor, terapeuta tradicional da linhagem dos pajés, fundador do Instituto Arapoty... Kaká Werá! Ele é um índio como outro qualquer, só recebeu uns ensinamentosinhos do Dalai Lama em pessoa, um convite pra ir ali à Índia fazer parte da criação do Conselho Mundial de Preservação das Tradições Ancestrais... Dá umas palestras também na Inglaterra, Escócia, México, França... Coisa pouca. O cara leva consigo os valores indígenas para passá-los pra frente e não deixar que morram de vez. Reconhecimento da Terra como mãe, reconhecimento da ligação entre a mãe e seus filhos (o que acontece com um acontece com o outro), amor como sendo a essência da natureza, expressão e riqueza da natureza dada através da diversidade e honra das relações. Óbvio que alguém na platéia perguntou: “você não acha esses valores muito românticos não?...” Mas é claro que são românticos! Agora me diz: e qual o problema nisso? O ser humano tem emoções, o ser humano tem sentimentos. Por que negamos isso? Por que esses valores são bonitinhos demais pra gente? Por que rimos deles? Às vezes não consigo entender. Se os tomássemos para nossa vida tudo seria bem diferente. Mas, afinal, são românticos demais para nós!... hahaha. Vamos continuar vivendo a vida da nossa maneira. Está tudo indo tão bem, estamos vivendo em tanta harmonia com o planeta! Que coisa idiota de índio, onde já se viu...

No segundo dia a palestra que valeu mais do que todos os sabores de sanduíches disponíveis (hummm) foi a de Gilberto Dimenstein. Agora lá vão as suas atuais atividades (segundo ele está vivendo uma fase super tranqüila de sua vida): Trabalha na ONG Cidade Escola Aprendiz (que ele mesmo criou), é membro da Comissão Executiva do Pacto da Criança (da Unicef), atua como colunista e membro do Conselho Editorial da Folha de S. Paulo, como comentarista da CBN – Central Brasileira de Notícias, como coordenador do site de jornalismo comunitário da Folha, escreve para a Folha Online às terças feiras, e algumas outras coisinhas mais. Super tranqüilo – prefiro não saber como foi sua fase agitada... O Gilberto acredita que o maior problema que o nosso país precisa resolver é o da Educação. Eu concordo bastante. Muita gente o xinga lá no site, mas as críticas fazem parte. Ele falou pra gente sobre um projeto incrível chamado Bairro Escola, que vem funcionando a 10 anos no bairro natal dele, Vila Madalena, em São Paulo. Trata-se de uma parceria entre instituições, empresas, espaços públicos, privados e unidades de ensino (particulares ou públicas também) existentes na comunidade para ressuscitar o ensino das escolas da rede municipal. Falando de uma vez só um dos saldos do projeto, depois desses 10 anos de aplicação hoje não existe mais um jovem analfabeto sequer na Vila Madalena (pelo menos é o que dizem os dados). Eles começaram pintando a frente da escola de um colorido louco com os alunos. Disse que os que mais se interessaram em ajudar foram os do fundão, aqueles que até eram considerados marginais mesmo. Depois foram reformando a escola por dentro, e o auditório que já tinha virado depósito de alguma porcaria qualquer voltou a ser um auditório. Na verdade mais que isso. Virou cinema e teatro ao mesmo tempo. Na verdade mais que isso! Na semana em que iam estrear o cinema, o Danny Glover (sim, o lendário negão de Máquina Mortífera) estava dando uma passadinha pelo Brasil e queria conhecer o projeto (ele é embaixador da Unicef, quando eu iria desconfiar!). Aí o Gilberto teve a idéia de chamar-lo pra ir lá ao colégio na hora do filme e, claro, pediu à diretora que exibissem “Máquina Mortífera”. Diz que a mulher falou: “Você endoidou de vez? Passar Máquina Mortífera pros alunos?!”. E ele: “Confia em mim... Passa esse.” No meio do filme tudo se apaga e os alunos enlouquecidos começam a gritar “caralho!” e “liga essa porra, seus filho da puta!”. Quando de repente os holofotes iluminam o amigo de Mel Gibson, enorme, saído diretamente do filme... Queixos caem. O meu caiu quando ele contou essa história. De arrepiar.



Eu acredito sim, Gilberto, que o maior problema que o nosso país precisa resolver é o da Educação, e que um monte de meninos sem perspectivas tiveram pela primeira vez vontade de freqüentar a escola a partir do sutil momento em que ajudaram a grafitar seu muro de entrada ou que viram o Danny Glover aparecer de surpresa no auditório que tempos atrás era só um depósito (tudo bem, já isso não foi tão sutil assim). Acredito que todos esses meninos podem ter um futuro bom e honesto. Tenho fé, prefiro ter, quero acreditar. Até nos do fundão da sala.

Acho que mais do que motivos ambientais a Arcelor tem motivos de “auto-limpeza de imagem” (não consegui achar a palavra certa) para promover esse seminário todos os anos - entre uma palestra e outra a gente escutava sobre suas ações para poluir menos o meio ambiente, como são esforçados e têm projetos, coisa e tal. Mas acho louvável mesmo assim, e fico extremamente agradecida pela oportunidade de ter escutado o índio e o jornalista. Como dizia Engels, “mais vale uma grama de ação do que uma tonelada de teoria”. Esses estão fazendo e inspirando os outros a fazerem também, e é isso o que mais vale a pena.

terça-feira, 30 de outubro de 2007

Aleatórias

Pedido oficial de desculpas aos leitores deste blog, pela frustração nas visitas e ausência de atualização:

Desculpa.


O amigo blogueiro Diego Moretto, meio mês atrás, me presenteou com o “Meme dos Códigos Literários”, que resume-se a abrir o livro mais próximo, ou seja, que estiver ao alcance da mão, abri-lo na página 161 e copiar a 5ª frase completa, publicando a mesma no seu próprio blog, criando por assim dizer, um clone (na forma) do post do desafiante.

Então aí vai:

"Atirei-me na carruagem que iria me transportar para longe, mal sabendo para onde ia, e sem prestar atenção no que se passava lá fora."

Livro: "Frankenstein", de Mary Shelley

Quer saber o que significa "meme"?
Eu também!
Antigamente tinha vergonha de perguntar, e agora tenho vergonha de nunca ter perguntado!... O encaro como uma espécie de corrente que acontece entre os blogs.
Essa, por exemplo, tenho que indicar para mais 5 pessoas - mas como boa quebradora de correntes que sempre fui passarei para apenas 2!

Garota do Casaco Verde
The Honey Fire

Abraço, novas blogueiras!

terça-feira, 25 de setembro de 2007

Eucalipto


Sento hoje para escrever com três materiais mui diversos em mãos: um caderno especial de A Gazeta, um panfleto da Brigada Indígena e a lembrança de tudo o que vi na semana louca de Feira do Verde e coisas mais. Começando pelo relato pessoal, domingo retrasado eu voltava de mais uma viagem a Bom Jesus do Itabapoana, que fica na divisa do Espírito Santo com o Rio de Janeiro. Na estrada só seca, seca, queimada. Espero que no verão chova direito, se não nem quero imaginar o que vai ser daquelas bandas. Em meio ao deserto de repente surgiu uma plantação verdinha de saltar aos olhos. Enquanto comentava “que maravilha, vida!” meu pai me deu a notícia: “isso aí é eucalipto”. Eucalipto. E lá se foi o meu encanto.

Nem todo mundo sabe o que o eucalipto faz na natureza. Na verdade muita gente mesmo não sabe. Indo para o caderno especial d’A Gazeta, uma pérola intitulada “Indústria Madeireira e Moveleira do Norte do Espírito Santo” que guardo desde 25 de novembro do ano passado, dou de cara na capa com as chamadas: “Saiba mais sobre as vantagens do eucalipto” e “Distribuição de mudas de eucalipto chega a 5 milhões em janeiro”. Meu Deus. E não pára por aí. É uma pontada no peito atrás da outra. “O eucalipto é uma das plantas mais úteis que já conhecemos e ainda tem muito a nos oferecer. Por todas as riquezas vindas da sua cultura, ele pode ser considerado uma verdadeira ‘árvore de negócios’”. “Técnicos do Incaper – Instituto Capixaba de Pesquisa e Extensão Rural aguardam a chegada de janeiro de 2007 para efetivar o cumprimento da meta de fornecimento de 5 milhões de mudas de eucalipto para os produtores rurais do Espírito Santo. O projeto faz parte do Programa de Extensão Florestal criado pela Secretaria de Estado da Agricultura. O objetivo é promover o reflorestamento de imóveis rurais, por meio do fornecimento gratuito de mudas de eucalipto”.

Janeiro de 2007 já foi. Eu ainda não tinha identificado eucaliptos no caminho para Bom Jesus, mas após ser alertada sobre a primeira leva passei a ver pelo resto da viagem (às vezes até onde não tinha). Eles chamam isso de reflorestamento. Está acontecendo. De onde você acha que o agricultor do interior do estado tirou as informações que ele tem sobre o eucalipto? É a “árvore de negócios” dele, “dela tudo se aproveita, tudo se transforma”. A verdade é que a versão do jornal é a mais conhecida. A questão do eucalipto é uma baita polêmica à qual muitos são alheios, incluindo vários proprietários que vêem na sua monocultura uma nova alternativa de renda. Eles não têm culpa.

Sim, acredito que essa expansão louca promovida pela Aracruz Celulose em conluio com o Governo do Estado causa um impacto fulminante no meio ambiente. Não sou especialista nem nada, mas acredito nas pesquisas que dizem o quanto a monocultura de eucalipto compromete a biodiversidade, arrasa a mata nativa, empobrece o solo e consome água em tamanha quantidade que pode afetar significativamente os recursos hídricos. Li numa reportagem do Globo Rural que “as raízes do eucalipto não têm como sugar a água do subsolo como se pensa comumente”, pois estudos realizados mostram que elas não chegam a descer mais de 2 metros em busca de nutrientes, enquanto o lençol freático mantém-se estável a uma profundidade que varia de 16 a 25 metros. Em contrapartida, li a fala da geógrafa e técnica da Fase (Federação de Órgãos para Assistência Social e Educacional) que diz que só no norte do Espírito Santo já secaram mais de 130 córregos depois que o eucalipto foi introduzido no estado.

Uma história, muitas faces; e eu fico mais confusa e longe de uma conclusão final. Os estudos que inocentam o eucalipto foram desenvolvidos pela própria Aracruz, em conjunto com universidades e organizações não-governamentais, e a fala sobre as raízes é do próprio agrônomo da Aracruz responsável pelas pesquisas. Aliado ao fato de estarem publicadas em veículos como Globo Online e A Gazeta, as defesas ao eucalipto me geram mais desconfiança que os ataques.

É imprescindível que continuemos pesquisando o assunto e que conscientizemos aquelas pessoas que ainda têm como verdade absoluta a Aracruz Celulose “fazendo um bonito papel” mundo afora. Acho que conhecendo mais estaremos mais próximos de realizar ações concretas e solucionar o problema. E que problemão.

A Feira do Verde acabou. Havia muitas empresas poluidoras lá exibindo stands hollywoodianos para impressionar as crianças. Em contrapartida (sempre há uma contrapartida!) havia muitos projetos maravilhosos também, de pessoas tão maravilhosas quanto. A Feira do Verde acabou. A luta não.

sábado, 15 de setembro de 2007

Um minuto para poesia capixaba

Caridade

Bateram à porta.
Era ela: a miséria.
Trazia nos braços um filho
e a fome nas faces encovadas.
Torturas de frio
nos membros da carne.
Nos olhos vazios,
os dias sem nada.

Dou-lhe leite
para o filho;
um prato de feijão
para a fome,
casaco de lã,
mangas raglã
que um dia foi chic.

E o Vazio?

Não posso minorar

os males do mundo.
Limitada
por mil razões,
convicções,
frases feitas.

Caridade existe? Não!
- Egoísmo, disfarçado num pedaço de pão.

Marilena Soneghet Bergmann

(Nas asas do vento)